sexta-feira, 6 de março de 2009

Crônicas desta vidinha mais ou menos: o outro Cap. 6: Sobre as coisas que são como uma pornochanchada brasileira dos anos 70: uma sucessão delirante de fatos sem nexo, que terminam com todo mundo sendo fudido.

Querido leitor,

Imagino que após tão intrigante título você já esteja imaginando quando foi que encontrei Nuno Leal Maia andando pelado pelo pelourinho, ou o Stephan Nercessian com seus mullets e cabelos menos nobres (e mais curtos, mas não menos enrolados) ao vento.

Não é nada desta sorte que venho relatar.

Acontece que, na incrivel ânsia de me recolocar no infame mundo of global corporations and piquaretations inc. lancei-me rumo ao impossível, em uma entrevista que parecia um episódio mal produzido do Além da Imaginação, em que a personagem toma alguma coisa de procedência duvidosa e vai parar em um cemitério pagão em Bangladesh nos anos 50.

Ocorre que, dada manhã, sou intimada (sim, pois o tom de voz do ser do outro lado da linha não parecia me dar escolha) à comparecer à uma entrevista em uma agência de empregos na Av. Jababronx (os créditos devem ser dados à Lingüiça por mais este trocadalho do carilho).

Não me fiz de rogada e, naquela mesma semana, peguei o metrô e fui ao encontro do que poderia ser meu (insólito) destino.

Ao chegar na tal descrita "agência", encontro uma sala decrépita, com uma recepcionista que em um primeiro momento parecia um flamingo e em segunda análise revelou-se uma sósia de Ana Botafogo em tempos pouco nobres (imagine se fosse anoréxica e viciada em inalantes).

Após algum tempo analisando a intrigante criatura, recordo-me que depois de passar pelo corredor polenês que com audácia alguns chamam de avenida, meu cabelo lembrava os de Steven Tyler após gritar "Pink!" e se desgrenhar pela décima sexta vez no videoclipe homônimo.

Pergunto onde fica o toalete e a caricata recepcionista levanta-se dizendo: "perae, vou ver se tem papel". Nada em toda minha vida soou mais como a porcina voz do apocalipse.

Ela volta com duas singelas folhas de papel higiêncio que, sinceramente, não eram páreo nem para as remelas do meu olho, que dirá conter um refluxo urinário.

De qualquer forma, ignorando aquele robô que apareceu em minha mente gritando "danger! danger! Will Robinson!", adentrei as locações sanitárias à minha disposição. Em retrospecto, penso que nunca estaria preparada para aquilo.

Noto, em primeira instância, que não existe tranca ou espelhos no diminuto cômodo porcelanado. Percebo em seguida um placa, que orientava a todos os infiéis capazes de cruzar todas as linhas do bom senso e entrar naquele banheiro, a não usar a torneira pois a mesma estava quebrada.

Devo admitir que não sou nenhum Stephen Hawking e, por vezes, meu raciocínio é de uma simplicidade simiesca. Porém não é preciso possuir grande capacidade cognitiva pra juntar o dois com dois e perceber que, com a racionada quantidade de papel de segunda e sem a possibilidade de lavar as mãos, nego sai dali com a mão mijada e ponto final.

Pego o que restou da minha dignidade, passo um gloss e me retiro do toalete. Sento na cadeira rezando para que ninguém tenha feito o raciocínio "papel+torneira+mão de mijo" que eu fiz.

Logo sou encaminhada para a sala de entrevistas. Olho para as pessoas ao meu redor. Reflito: é seleção pra bedel de penitenciária.

A mulher sendo interrogada (pois aquilo não era uma entrevista e certo momento, penso quando ela vai perguntar se a candidata tem vermes, piolhos ou sabe fazer truques com uma bola de ping-pong e a perseguida) parece satisfeita. Olho bem para ela. Desespero-me. À minha frente o que parece um travesti de madrugada na 14ª DP dando parte de um "criente atrivido".

Sou também interrogada. Jogo rápido e ja estou aprovada. Saio do lugar e simpatizo com Carlota Joaquina. Compreendo sua vontade de arrancar o sapato e gritar: "Desta porra eu não levo nem o pó!"

e saio fazendo mais uma equação matemágica, pensado que: se nego não lava a mão, mija e pega na mão da entrevistadora que eu cumprimentei...

Ahn... Chega de lógica por hoje.

Bjos,
Helous.