Crônicas desta vidinha mais ou menos: Cap. 5: Friendship.
A vida não é só feita de altos, ainda bem. Ainda bem também que as coisas consideradas "baixos" não acontecem apenas comigo. Gostaria de dividir hoje, com minhas amigas, questões justamente sobre amizades. Esse sempre foi um tema sobre o qual eu tinha certeza que saberia como discorrer como ninguém, graças aos meus sucessivos sucessos.
Bom... a vida, uma hora, demora, mas ensina. Eu fui criada e aprendi a sobreviver em um mundo extremamente hostil, onde tudo - absolutamente tudo - se trata de aparências. Nesse lugar tive que aprender a sorrir e ser feliz 100% do tempo: as pessoas excluem quem não está satisfeito com elas. E eu não queria ser excluída por eles, afinal, eu passaria longos anos lá.
Mas ninguém sorri tanto, ninguém é tão feliz. Aprendi então que um pouco que falsidade - se for por causas de sobrevivência - não faz mal a ninguém. A falsidade não só é um recurso naquele lugar, mas um hábito comum. Condenável, como tudo, mas comum.
Os valores deixam de ser medidos por quem você é, mas por quantas pessoas você consegue agradar ao mesmo tempo: chamam isto de turma. E eu tinha uma turma. Nós nos tratávamos com xingamentos e tapas, e isso era normal. Nos traíamos todos os dias, falávamos mal uns dos outros, e nunca ocorreu a nenhum de nós que os outros falavam mal de nós também. Tudo bem, era normal, e no churrasco do final de semana, estávamos juntos de novo.
Eu traí amizades valiosíssimas em nome dessa imagem de "amiga de todos". Muitas pessoas se magoaram comigo no começo, mas eu fiquei boa nisso: aperfeçoei minha cara feliz, meu tom doce e engraçado, e fui tantas vezes perdoada sem ser questionada, sem pagar pela crueldade, ao ponto de acreditar com todo o meu coração, que eu era uma boa amiga.
A vida, uma hora, demora, mas ensina. Sair daquele ambiente foi fácil. Difícil foi tirar o ambiente de mim. Há cinco anos eu quebro minha cara e minha cabeça tentando entender do que se trata, afinal, uma amizade. Disso eu não sei muito ainda. Mas sei exatamente qual é o contrario disso, e nessa armadilha eu não caio mais.
A vida, uma hora, demora, mas ensina.
Atenciosamente,Ferdous