quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Prezadas, estimadas e saudosas johns, cumprindo nosso pacto eterno de não deixar alheio à ácidas análises os estapafúrdios acontecimentos da vida cotidiana, inicio agora uma série de dissertações eletrônicas acerca da minúcia de eventos inespressivos( e nem por isso menos dignos de nota) que preenchem o vazio insustentável do que chamamos de vida.


Crônicas desta vidinha mais ou menos: Capítulo 1 - O pé do pobre


Numa manhã fria e medíocre da vida de uma estag, decido compor meu visual com adereços mais sofisticados, numa infeliz e depois mentalmente repreendida tentativa de parecer, bem, mais gostosa.
Como muitas devem ter imaginado, acordei esta fatídica manhã com as coxas do que poderia ser uma bem nutrida rinoceronte de um zoológico sueco (sim, pois estava eu branca pra caralho, de forma que logo se constatava de que não se tratava de um animal oriundo de uma savana africana).
Para quem precisa de explicação: mesmo que se trate de uma ilusão propagada por publicações machistas e limitadas, usar um salto alonga as pernas e dá ao usuário (no caso, eu) um falsa ilusão de que ele não se trataria de um bonsai humanóide.
Acontece, intrépidas leitoras do absurdo, que o quê o paquiderme em questão falhou em adiantar, seria o fato de que, imensa ou não, eu deveria percorrer quilômetros com estas patas que vos falam.
Em alguns metros o óbvio se tornou claro: eu havia me fodido de verde e amarelo em impensáveis e absolutamente inapropriados scarpins de verniz.
Apenas alguns passos e o pé do mamífero de grande porte (com a exceção clara da massa encefálica) tornaram-se grandes baguetes maciças, daquelas que os interioranos utilizariam para acertar ( e até mesmo deixar desfalecido) um desavisado ladrão de hortaliças.
Grande ironia do destino, naquele dia específico deveria eu levar as grandes patas ao médico, a fim de compreender um inchaço comparável a uma elefantíase já em avançado grau de desfiguração.
Qual não foi minha surpresa ao adentrar o consultório de renomado fisiologista e encontrar sua pitoresca (algo como uma sósia de Monique Evans) recepcionista com os pés em frangalhos.
Estrupícios mantidos dentro de condenáveis meias de náilon e ainda, como agravante, envoltos em o que parecia ser uma (já vencida pelo cansaço) silver tape.
Sim, eu também me surpreendi questionando se haviam sido usados os últimos band-aids do mundo (pois uma silver tape é no mínimo questionável como curativo).
Porém, neste momento místico, mesmo que em um local pouco apropriado para reflexões ecumênicas, percebi uma verdade da qual não se pode fugir e nem tampouco negar: POBRE USA MELISSA E HAVAINAS.
E existe um excelente motivo para tanto.

Att,Helous

OBS: este depoimento não exprime ou apoia qualquer preconceito com paquideremes ou com recepcionistas. Em caso de quaisquer dúvidas... ahn..foda-se.
Não percam agora o capítulo 2: Notas sobre meu xixi: tímido e territorial